quinta-feira, 19 de junho de 2008

Dedicatória...








Este post é dedicado à selecção de futebol da Alemanha e também à nossa amiga Luz, que anda lá fora a lutar pela vida, a mais o seu camião. Força, Luz, gnnnnnn!

NHAM


Só um pequeno alerta para aquilo que meio mundo exige e o outro meio anseia: JÁ SE MARCAVA UM NHAM antes do pessoal começar a dispersar com aquelas piCUinhíces das férias de verão.
Os organizadores de sempre que se cheguem à frente.
E depressa, estão a ouvir?

terça-feira, 17 de junho de 2008

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O MEME

O Priapo incitou-me a responder ao ‘meme ateista’ que, parece, circula na blogosfera. Não tenciono vir para aqui com panfletos, nem fazer propaganda sobre o assunto em tom sério, mas como entendo que na Vara cabe tudo o que nos dá na gana, cá vai. Postem propaganda católica, vá. Se quiserem. Ou adventista, ou da igreja mórmon ou satânica ou mandem-me bardamerda (eu vou). Como vos aprouver.


P1. Como definirias “ateísmo”?

R: Pura e simplesmente, a não-aceitação da hipótese da existência de deus. Em si, ‘ateismo’ só descreve uma postura intelectual, pois é um não-conceito. Não faz sentido definir-se ateísmo por oposição a um conceito que se rejeita. Um ateu será alguém para quem a questão da existência de deus, simplesmente não se põe. Na sua diversidade, existe um denominador comum aos ateus, que é a rejeição de um deus com personalidade, atributos definidos, criador pessoal do Universo, a quem se pode rezar, que pode ser agradado, ofendido, respeitado, que é preciso idolatrar e que é representado, entre várias alternativas, por apenas uma religião organizada em particular. Conceitos (e emoções) que respeitam aos processos auto-organizativos da matéria ou ao sentido profundo da realidade, conhecidos popularmente como ‘o deus de Einstein’ são frequentes entre os ateus.

P2. Tiveste uma educação religiosa? Se sim, de que tipo?

R: Não, não tive de todo. Sabia das convicções teístas dos meus pais, mas nunca me impuseram nada. Apenas numa perspectiva cultural ou antropológica, a cultura religiosa, era cultivada na minha família. O conhecimento do conteúdo e história das religiões é das coisas que mais me interessa, diga-se. Desde a bíblia, a textos védicos indianos, leio de tudo.
P3. Usando apenas uma palavra, como descreverias o “design inteligente”?

R: Grotesco.

P4. Que campo científico mais te interessa?

R: De profissão, a Ecologia e Biologia Evolutiva mas por diletância a Física.

P5. Se pudesses mudar algo na “comunidade ateísta”, o que seria?

R: Na comunidade ateísta não mudava nada. A ‘comunidade ateista’ congrega pessoas unidas no propósito de defender da discriminação aqueles que escolhem manifestar a sua não-religiosidade. Pode parecer descabido, numa sociedade liberal e putativamente democrática, mas é real. Falo por mim, ou de pessoas próximas: já presenciei, em face da simples declaração de ateismo: desconforto, perplexidade, choque, mudanças radicais de atitude no relacionamento por parte da pessoa em causa, histeria e reacções verbal e fisicamente violentas. Mais, como me revejo nos princípios Iluministas da separação do Estado e igreja, parece-me que há que persistir na denúncia de promiscuidade naturalizada entre as duas entidades, e.g., concordata, benificios fiscais, posição privilegiada nos media, representação em actos públicos, arte pública, influência em assuntos de interesse público ou de Estado tentando fazendo prevalecer dogmas arbitrários e irrealistas sobre a racionalidade democrática (e.g. a questão do aborto, ensino religioso nas escolas, etc.). Como diz o Obama, ‘temos de pautar as nossas leis apenas por aquilo que todos vemos’.

P6. Se um filho teu te dissesse que tinha optado pela vida clerical, qual seria a tua primeira resposta?

R: A pessoa dos filhos não me pertence, eu sou o pai deles. Tenho de os educar, proteger e amar. Fariam o que bem entendessem, se bem que seria previsível uma dificuldade intelectual no nosso entendimento. Emocionalmente serão sempre os meus filhos.

P7. Qual o teu argumento teístico favorito e como é que o refutas?

R: Não é original, mas é o finalismo (Theillard de Chardin, por exemplo), no processo de evolução do olho. Argumenta-se que no decorrer do processo, ‘meio-olho’ não serve para nada. É errado, a evolução do olho surgiu independentemente, pelo menos sete ou oito vezes em linhas filogenéticas completamente distintas, de onde se demomonstra a sua ‘utilidade’ como vantagem ‘reprodutiva’. Muitos animais com olhos rudimentares (manchas ocelares) tiram deles vantagens inequívocas na sobrevivência individual e reprodução. E depois, claramente, o olho como melhor solução evolutiva, não é sequer a melhor solução ‘tecnológica’. Um designer inteligente faria mais simples e melhor.

P8. Qual o teu ponto de vista mais controverso (na perspectiva dos outros ateus)?

R: Que sou desbragado e não respeito nada. Não é verdade. Respeito os crentes em absoluto e não as crenças em si. A religião é apenas mais uma (falsa, acho) convicção, como a política ou o clube de futebol. Como tal, é passível de discussão, crítica, rejeição, chacota se se entende como prejudicial á sociedade, como é o meu caso. Se houver a possibilidade de outrem considerar que é uma ofensa à sua pessoa em particular, abstenho-me, claro.

P9. Dos “quatro cavaleiros do ateísmo” (Dawkins, Dennett, Hitchens e Harris) qual é o teu preferido e porquê?

R: O Dawkins porque, decidiu dar relevância mundial ao assunto e porque chega a ser bruto como umas casas. O C. Hitchens é o mais divertido e desbragado. Denuncia de forma muito clara os malefícios mais primários da religião: a crueldade para com o próximo, o racismo, a xenofobia, a desprezo pelas crianças, o tratamento discriminatório das mulheres. Dennet é intelectualmente o mais profundo. Tem uma teoria consistente para a génese da religião como fenómeno natural (no livro Breaking the spell). Basicamente fundado na nossa capacidade única para reconhecermos intencionalidade nos outros, que não existe nos outros animais e assim personificarmos tudo. Desde o carro ao Universo.


P10. Se pudesses convencer apenas um teísta a abandonar as suas crenças, quem seria?

R: O Ratzinger. Mas acho que não dava muito trabalho, pois no íntimo é claramente ateu. Ao contrário de alguns outros papas, diga-se. Irrealista seria fazer com que assumisse. Mas que era giro, era! Já estou a ver as multidões em fúria, por lhes tirarem a esperança infantil no sobrenatural, quando ele apelasse, ao invés, à responsabilidade pessoal de cada um. Era estraçalhado na Praça de Pedro, como fizeram á papisa Joana quando caiu do cavalo com dores de parto.

- Nomeia outros 3 blogs para espalharem o «meme»:

Não posso. Só conheço mais dois e estão ao deus-dará: medo de existir e presidente da junta

Pura Lã Virgem



sexta-feira, 13 de junho de 2008

NATIVIDADE



O que é isto? Abana, abana. Eu, sou os meus dedos, esta água quente, aquela luz, aquele som surdo, sou eu, este movimento. Ora cá vem outra vez esta minha quente energia pelo cordão translúcido cheio de líquido pulsante e vermelho. Vem de outro lado de mim. Este tum-tum-tum é o que mais gosto. Mas tenho dois. Um rápido mais fraquinho e um mais forte, grave e compassado. Mas agora é espernear, espernear! Abrir a boca. Por vezes oiço-me e sou várias vozes que vêm ali daquele lado. A minha luz mexeu-se. Às vezes sonho que tenho fome e tenho mesmo fome, outras vezes que chupo o polegar, chupo mesmo o polegar.

Agora sinto que me aperto muito. Cada vez mais. Pulso dolorosamente, de vez em quando. Aí está outra vez. Dói muito, muito. Estou muito apertado, uma parte de mim retorce-se e muda de forma e há esta pressão tão GRANDE que agora já não pára. Sufoco e não consigo respirar. Agora estou a sofrer. Só a sofrer. A SOFRER.

Sou uma luz forte que dói. Uma coisa que me sinto a queimar nos pulmões de tão fria e cortante que é. Sou grande, muito grande. Como é insuportável, grito. Eu mexo os braços e pernas mais ou menos quando quero, mas há estes meus vultos que falam e mexem, mas eu não os controlo. Tenho FRIO. Muito frio.

Agora estou melhor. Estou grande e desorientado. Sou luzes, sou cores pouco familiares, verde, azul. Sons nítidos que cortam como facas. O meu tum-tum grande está aqui outra vez, apesar de diferente. Também nunca me chupei desta maneira que faz passar a fome. É bom. Parar de gritar. Dormir. Sonhar que estou ainda pequeno, que chupo o dedo.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O FEL

Com sardónico riso e estalando os tacões de verniz vermelho, seu credo vário e incerto, cínico nas palavras e fútil em intenção; pestilento caneiro de sordidez e excrementício linguarejar – vai moendo uma arte menor titubeante de palavras, insultando a Razão, falando em línguas arengada pútrida de ideias vagas; qual macaco néscio falando aos tolos no púlpito da soberba; vai vomitando palavras quais gordas larvas que se requebram em sua boca informe, gosma insana, um trejeito louco nos olhos injectados; estulto-mor, salafrário de pontiaguda e sarnenta mitra, salvando almas e sugando esmolas, lambendo botins de poderosos – títere grotesco de bancos, políticos e criminosos; dizem que devasso em veneais desejos por moços e varões. O meloso enjoo de palavras gorgolejantes, vai, em borbotões de sangue de outrem, o vampiro cuspindo.
Veneno mal disfarçado e sórdido, do mesmo repente lhe saem da boca maldições, anátemas, excomunhões mais as mal misturadas, compassivas e correctas palavras: os apelos apaziguadores e a anuência severa do pai;

Que mandato tendes??!!... Mostrai a tua credencia, a tua celestial bula! Teus decretos serôdios são grotescos arremedos de amor e justiça que - se acreditasses, usurpador de corações - por cada um, as tuas entranhas vertendo a bílis e os humores, no sétimo círculo do Tártaro exibirias: o baço, o fígado, o fel.



Retrato de Girolamo Savonarola, de Fra Bartolomeo (1498).

Desculpem lá que vos diga, mas isto não se faz!



terça-feira, 10 de junho de 2008

Portugal...












Hoje é 10 de Junho, dia de Portugal!

Que dizer de Portugal, num dia como o de hoje?!

Que é o melhor país do mundo?! Isso é sabido!

Que tem os mais perfeitos malmequeres? Também toda a gente sabe isso…

Portanto, aproveitemos este dia para dizer, simplesmente,

VIVA PORTUGAL…

sábado, 7 de junho de 2008

Chupa Chús: 0% materia grasa!

É-me penoso postar a seguir a uma pérola de sabedoria como aquela com que o nosso estimado Fundador, ao melhor estilo de um Quaker acabado de sair da Mayflower e mortinho por aterrar num balde fresquinho de alcatrão e penas (se o houvesse), nos brindou.

Sou pouco dado a estas merdas e uma coisa é postar a seguir a um chorrilho de disparates de um qualquer coirão abichanado, e outra totalmente diversa é postar a seguir a um chorrilho de disparates do coirão abichanado do Vareta .
Seja como for, deixo-vos aqui uma singela imagem, captada num jantar da Vara que, vá-se lá saber porquê, recordo com estima (pelo menos tanta como os que o antecederam e o precederam).

Talvez tenha alguma coisa a ver com o que se passou sobre a mesa depois da refeição, mas este talvez não seja o melhor local para entrar nesse tipo de detalhes.





segunda-feira, 2 de junho de 2008

The Prodigal Sun, que eu tenho a mania das grandezas

É de noite. Chove. E isto não é um guião do Klaxon. Isto sou eu de volta.

Mais que o filho pródigo, que não quer ser perdoado pelo desleixo a que votou a antiga casa paterna, reconheço com a costumeira modéstia que é virtualmente um sol que vos alumia, este meu regresso. O venerando Fernando, o Pessoa, com quem privei nos bancos da escola em Durban, escreveu um dia uma linda metáfora sobre laranjas cortadas em duas partes, uma maior e outra mais piquena, procurando mostrar ao mundo que a injustiça é um valor relativo e insignificante quando as duas partes da laranja são deglutidas por qualquer pega de beira-da-estrada que come citrinos para limpar a úvula… Vem-me (no pun intended) a metáfora à memória – prodigiosa, sim, mas já sem o frescor doutros tempos… - a propósito de o meu regresso ser um sol e vós o couval, grato pela fotossíntese que assim se processa. É a ordem das coisas e são as coisas em ordem: eu briho e o meu brilhar dá um certo viço ao vosso verdejar. Eu brilho, também, porque sempre fui atreito à oleosidade da cútis. Fosse eu gordo e mais alvo que bem me pareceria com o saudoso Carlos Wallenstein, com quem eu privei nos bastidores d’A Chuva na Areia, largando grossas gotas de suor aromatizado a sauerkraut pelas praias de Tróia… Mas agora não transpiro, que é de noite e chove. O que atesta a qualidade do meu brilhar: qual farol rasgando a tempestade, qual Estrela de Belém, qual sorriso do Paulo Portas (com quem eu nunca privei) pós-branqueamento, assim eu brilho mesmo em condições menos propícias.

Brilho desde longe; minha natureza estelar assim mo permite. Não fosse a minha reputada modéstia e tenderia a pensar que o sol nasce aqui mais cedo porque eu cá estou. No fundo, é assim a vida de um Homem Santo e modesto: largamos bênçãos às mãos cheias, como cabras obrando a caminho do curral… pequenos nódulos de alegria – pequenos miomas de êxtase… - pequenos coágulos de prazer que alegram a existencia dessa multidão da parte mais pequena da laranja. Notai, couval: tal não é feito por caridade, essa odiosa virtude. Tudo resulta de um processo natural. Por escolha ou desígnio, calhou-me a mim estar mais perto do divino e a vós mais perto da purgueira. Podia ter sido ao contrário, dizem-me, mas não foi – modestamente o assumo. É, pois, de longe que vos brindo com A Palavra. Faço-o não sem esforço e sacrifício pessoal mas faço-o, tornando o vosso próximo passo mais seguro, o vosso próximo dia mais leve, o vosso próximo contributo para a Fundação Vareta Funda mais sincero e avultado.

“É de noite. Chove. No templo de Ikedayama, Mestre Vareta vai secando cogumelos – secando na medida do possivel, uma vez que chove. Um discípulo acerca-se, voluntariando-se para substituir o Mestre na tarefa e instando-o a abrigar-se da pesada bátega. Mestre Vareta abre a palma da mão direita, deixando que a chuva ali se junte, e pespega um valente estaladão no discípulo, dizendo ‘É de noite. Chove.’”

Este pequeno e bonito koan pretende mostrar-vos o caminho e escolhi-o por ser de fácil apreensão e interpretação para os que comigo privaram e ainda estão vivos para contar. É uma mensagem de harmonia, de experienciação concreta do real – e é também uma palavra de aviso a quem ousar interromper-me quando eu estou à chuva a secar cogumelos.

É de noite. Chove. Dormirei satisfeito por vos ser tão caro.

virgem

...;)) pois nestas coisas de blogar...

gostei do convite, gosto de postar e raisparta se hoje não é segunda...



voltarei com outras inspirações (sim, é uma ameaça!)

DOTS AND LOOPS

Podia ser a banda sonora de um documentário de vela ou de aquarofilia dos anos 80. Ou de uma série policial do tipo streets of S. Francisco.

Mas é o maravilhoso álbum a la Free Design dos STEREO LAB de 1997: dots and loops (Miss Modular)