terça-feira, 16 de março de 2010

Barbearia em Nampula




sexta-feira, 12 de março de 2010


quinta-feira, 11 de março de 2010

José Mário Branco - F.M.I.

Há mais de 10 anos que não ouvia 'isto'. E digo 'isto', porque não se lhe pode chamar propriamente uma canção... e sempre que a oiço fico invariavelmente pasmado, boquiaberto, siderado, eu sei lá.

Ainda para mais, e apesar de algumas referências desactualizadas como o próprio refere, o tema continua na ordem do dia! Esperemos que o constante decair da situação nacional não torne o tema deprimentemente actual e candente.

Posto isto, só me ocorre dizer uma coisa: Aprende, Falâncio, pá! És um menino!!!


«Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde.

O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho?

A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata.

Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ahn?

Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular!

Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais!

Piramiza filho, piramiza, antes que os chatos fujam todos para o Egipto, que assim é que tu te fazes um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento. Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta, dá-lhe no disco-sound, dá-lhe no pop-xula, pop-xula pop-xula, iehh iehh, J. Pimenta forever! »







2 em 1



Pois.

jg

quarta-feira, 10 de março de 2010

Lego

terça-feira, 9 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

O Neto

Enrolou com calma a erva numa mortalha. Passeou a folha entre os dedos aconchegando o tabaco e a erva num rolo assimétrico. Lembrou-se do que tinha visto quando era ainda uma criança. Lembrava-se do avô a carregar a arma, lembrava-se do cheiro a pólvora no ar, lembrava-se de tudo, num filme a preto e branco que passava na sua cabeça, sempre, em todas as horas de todos os dias. Levou à boca a mortalha, humedeceu o papel e fechou-a. Sempre que o fazia lembrava-se do corpo da sua avó, numa outra mortalha. Inspirou e soltou o fumo no ar. Inspirou o cheiro que se soltava no ar e fechou os olhos para rever o mesmo filme uma outra vez pela enésima vez. Pelo menos agora sentia que o dia seria mais curto.

Virou-se e olhou para o corpo que estava do seu lado. Levantou-se e abriu a janela. Olhou para a rua vazia, despida de pessoas e de árvores. Lembrou-se de como se limpava uma arma, lembrou-se de desmontar a arma do avô, de passar o canhão pelos dedos, de tirar os restos de pólvora espalhados pelo cano, lembrava-se de tirar a folga ao gatilho enquanto alinhava a mira num alvo imaginário.

Agora, sozinho, conseguia ver os olhos do avô. Conseguia ver a sua cara espremida contra o metal da arma, de ver os olhos semi fechados procurando a concentração do tiro. Conseguia ver a cara da sua avó. Conseguia imaginar o que ela sentira quando viu o dedo do marido escorregar no gatilho. A puta que sempre quisera controlar o universo que dependia dela. O sorriso deslavado sempre que impunha a sua vontade. O grasnar que saia da sua boca sempre que alguém era pisado pela sua vontade.

Olhou de volta para a cama, para o corpo abandonado que fora seu.


Canção do engate

Ele há gente capaz de tudo...

Boa, Zeca, mas eu escolhia estes três veículos e mai'nada...