segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
O DOENTE IMAGINÁRIO
O velho Alphonse Du Bonnet sofria de males gasosos que lhe subiam da matriz do intestino, à ilharga, pelo baixo-ventre e indo alojar-se nas cruzes, mesmo junto à espinhela onde tinha a dor do nervo. Trazia o plexo inchado e com fermentações pútridas e circulavam-lhe os humores bilioso e a fleuma, ao contrário. Fazia ginástica ás seis da manhã no quintal para que o flogisto lhe purificasse os pulmões e o bofe e saíssem os miasmas. Sanguessugas medicinais, ventosas, sangrias, purgas, aplicações de cataplasmas, unguentos e mesmo a aplicação bi-diária de um talo de couve na tripa cagueira não sortiram o desejado alívio dos males, que teimaram em manter-se sob a forma de eflúvios efervescentes verdes e fétidos que lhe saiam pelas orelhas enquanto o cerúmen dava estalos dentro do canal auditivo. Talvez seja o bicho do ouvido ou eu que estou a incorporar algum espírito –pensou; pelo que decidiu buscar os serviços de um exorcista. O exorcista convenceu-o a doar toda a sua fortuna para uma fundação de que era presidente – A Fundação ‘O Exorcista de Ouro’ e ainda a deixar-lhe secar os testículos no recto como forma de expulsar os demónios e assim fazer que Alphonse deixasse de se expressar ‘em línguas’, nomeadamente o swaili, o moldavo, o tahitiano, o basco e o calé. O velho senhor tinha uma esposa com um terço da idade dele. A sua jovem esposa usava cabeleiras caras, visons e perfumes que custavam os olhos da cara, pelo que Alphonse teve de empenhar o palacete na Gasconha, vender as acções da Companhia de Tinturarias e Pentes do Baixo Loire e alugar o castelo de Vaux Le Viscont a uma companhia de circo que o usava para guardar materiais: tendas, jaulas velhas, maças de malabarismo, peles de tigre, presas de marfim, vasos preciosos, diamantes, caixotes de ópio e bosta de vaca. O exorcista recomendou que Alphonse se recolhesse na sua alcova antes do pôr-do-sol e aplicasse pachos de terebentina com couve cozida passada no ‘passe vite’ no anús. Este, num excesso de zelo, ou fruto da surdez que já atormentava, introduziu a mistura recto acima em quantidades generosas. Alphonse acordou, numa radiosa manhã de sol, bem disposto e cheio de energia. Apenas sentia um incómodo ardor no recto. Também estranhou a nota de cinco luíses presa nos ‘coulottes’. A peruca do exorcista estava ao lado da sua almofada e este mesmo lavava os sovacos peludos na bacia, despejando água do jarro e cantando uma ária de moda ao mesmo tempo de largava ventos intestinais ruidosamente. Subitamente a criada de quarto assomou-se à porta entreaberta e disse – ‘Xi. Sinhô ‘zorcista. O bacalhau do pequeno-‘armôço’ está na mesa. Alphonse, tirou a peruca de crina de cavalo e coçou a calva. Entretanto os elásticos dos coullotes, que estavam lassos acabaram por ceder e os coullotes caíram-lhe aos pés, por sobre os sapatos de fivela e ele ficou com os tomates á mostra. O suor de odor acre, mas quente, que exsudava do escrôto e das virilhas de Alphonse encheu o quarto. O exorcista sacou, a troco de vinte luíses de oiro, de uma pomada de mercúrio que aplicou nas miudezas do Visconde e este agradeceu com uma vénia solene. No entanto, nada podia disfarçar o fétido cheiro a ranço que exalava dos coullotes e a criada degolou um galo, aspergiu os cantos do quarto e entoou um velho canto encantatório haitiano, por causa do cheiro, mas enganou-se e começou a chover copiosamente. O exorcista entretanto foi metendo candelabros de alpaca, colheres de prata, um guarda-jóias de madrepérola e valiosas pinturas da Escola Flamenga num saco e saiu a espevitar os dentes, porque no entretanto já tinha ido e vindo de comer o bacalhau e tinha os dentes cheios de fios. Alphonse cobiçou as voluptuosas curvas da criada e sentiu o entusiasmo carnal subir-lhe num frémito pelo freio da verga e prolongar-se pelo esfíncter anal, ao que o exorcista aproveitou e sodomizou-o contra a figura de Cristo carregando a Cruz em tamanho natural que Alphonse tinha no canto do quarto. Pela janela passavam os serviçais e campónios levados pela enxurrada de lama aos gritos de ‘au secours!’ por causa das fortes chuvadas que se tinham feito sentir mor da involuntária dança da chuva da criada Marie. Eram vacas, carros de bois, padres, árvores que corriam nas águas revoltas em direcção ao rio e Alphonse tomou as gotas de arsénico do meio-dia e pensou- ‘tenho de empenhar a coutada de La Gimonde-sur-Rhône para pagar estes estragos. Mas enganava-se, porque essa propriedade já tinha sido vendida pelo exorcista a uns banqueiros judeus de Marselha que tinham mandado cortar todas as árvores e fazer carvão. Com o recto a latejar, Alphonse sentiu um súbito aperto intestinal e um cagalhão extemporâneo a querer sair pelo anús e ir alojar-se no fundo do penico de esmalte.
FIM
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Titãs - Vossa Excelência
Estão nas mangas dos Senhores Ministros
Nas capas dos Senhores Magistrados
Nas golas dos Senhores Deputados
Nos fundilhos dos Senhores Vereadores
Nas perucas dos Senhores Senadores
Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Senhores!
Senhores!
Filha da Puta!
Bandido!
Corrupto!
Ladrão!
Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado
Isso não prova nada!
Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos de tomar nenhuma decisão!
Vamos esperar que tudo caia no esquecimento
Aí então...Faça-se a justiça!
Vamos arrumar vossas acomodações, Excelência.
Filha da Puta!
Senhores!
Corrupto!
Senhores!
Bandido!
Senhores!
Ladrão!
domingo, 23 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Lyonce Viiktórya
Que nasceu um grande amor
Ele era cor de carvão
Ela, branca como um tumor
Ele andava nos estádios
Consta que até nem era mau
Ela representava nos estúdios
Sonhava com o cafre de Bissau
O amor cresceu
Casaram-se os esponsais
Lá se fodeu
E a gravidez chegou aos jornais
Passados nove meses de idílio
Começa uma bela história
Socorro! Auxílio!
Chamaram-lhe Lyonce Viiktórya...




















