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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

FÉRIAS NA PRAIA



Emídio Bezelga pousou a mala sobre a cama do bungallow, ‘Aahhh…férias, Foda-se lá o patrão mais a puta da mulher e os filhos paneleiros, Isto é que é vida …fééérias!...’, O filho mais novo já mascava uma rã morta que encontrara meio embrulhada em cotão e cabelos no canto da cabana enquanto fazia desenhos na parede com um pau de gelado e um cagalhão ainda mole deixado num canto quarto pelo locatário anterior, A mulher foi mudar o Modess Aderente para a pia dos despejos e lavar-se no polliban rapar-se e espremer os pelos encravados esguichando pus para a cortina de plástico ‘Bonita’ que representava uma cena de asa-delta ao pôr-do-sol, Não havia luz e Emídio aborreceu-se pois tinha de se ir queixar á recepção do parque que já encerrara entretanto, O ralo do poliban gorgolejava porcaria cá para fora e ficou um enorme fedor a canos, Os mais velhinhos tinham ido comprar crepes de morango e vinho com coca-cola, A namorada grávida do mais velho estava com enjoos e vomitou no ‘hall’ de entrada mesmo por cima do divã de Beta, a mulher de Emídio, Beta não se atrapalhou e pôs um alguidar de plástico cá fora, foi ao chafariz com uma bilha de plástico, ficou na fila, voltou e pôs-se a lavar a forra do divã. Entretanto Emídio estava a manipular-se a ver o Batatoon e disse- ‘vou á missa das sete, mas é’. Lá, o padre estava agarrado aos testículos arrepelando o escrôto com vinha-de-alhos e super pop limão, Os únicos fieis sentados num canto eram os seus filhos mais velhos que se estavam a injectar e a cabecear. –‘Pai, tomei uma decisão’ – disse, semi-revirando os olhos – ‘vou-me casar com a Guida’ – O pai anuiu e acrescentou que achava honrado para depois reparar que não sabia quem era a Guida, A namorada de Túlio, o seu filho chamava-se Tina, - ‘Quem é a Guida, pá?’ – ‘Então, a Guida…é uma garina que eu conheci ontem quando fui cagar á mata. Estava lá a largar lastro também, Foi bué fixe. Eu nem deixei que o cagalhôto dela saísse completamente e empurrei-lho para trás logo ali, outra vez’. –‘É o chamado clister de açorda’ – disse o pai rindo-se e exibindo o seu único dente que estava podre. –‘Sim, pus-lhe o almoço a andar de marcha atrás, Ela até se urinou toda, paizinho!’. –‘Toma lá quinhentos paus então para beberes umas cervejas’ – disse o pai. – ‘ Um dia destes temos é de ir os dois ás putas…’, A isto o mais novo retorquiu –‘ eu gosto mais de gajos pai’ – O pai arregalou os olhos e disse – ‘Bom, desde que sejas tu a enfiar no cu do outro não há problema, Só quem leva é que é’- ‘Sim papá’- anuiu o filho, manso como um cordeirinho, No bungallow Beta já tinha preparado o jantar que era esparguete com ‘picha de vaca’, que era o que jocsamente a família chamava ás salsichas Izidoro. O pai babava-se enquanto comia e o filho imitava um porco e se masturbava debaixo dos largos calções Bilabong, O mais novo peidava-se e todos se riam, O pior foi que Tina de tanto se rir engasgou-se e abortou á mesa. Como o prematuro era hermafrodita deram-nos a um casal de alemães que ia por ali a passar e já o filho mais velho tinha saído da mesa e estava a arrebentar a peida de Guida que andava por ali mas afinal era um gajo.