segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ma va fancullo, oh!

Egregi Signore e Signori, per voi, con l'altissima ed insormontabile sponsorizzazione da Lucio Bisutto, Vareta Funda ha il piacere di presentarvi com una delle piú emblematiche canzioni dal mitico cabarettista Luciano Bronzi: "La Marisa"



La Marisa
(L. Bronzi)
Rit:
Macchè tettone che gaveva ea Marisa,
sbregava i bottoni dea so camisa,
do robe ve digo de far fin paura
de serto la portava ea nona misura.

La vidi che ea entrava allegra na sera
in mini co ea blusa al bar Capinera
do oci col rimmel, na boca tutta rossa
co ea caminava ea gera tutta na mossa,
un tipo magliardo, altera assai,
bella col suo ancheggiar, ea pareva na modea.
Ma ea roba più bea ea gera davanti,
do robe ve digo, do suche giganti.

Rit:
Macchè tettone che gaveva ea Marisa,
sbregava i bottoni dea so camisa,
do robe ve digo de far fin paura
De serto la portava ea nona misura.

Ghe offro da bever, se ea permette
Fin tanto coi oci vardavo ste tette,
ea beve do graspe, sie wischi, tre amari
do litri de rosso e sette campari,
tre croassan e xo tramesini
sie creme un canolo e xo pasticcini,
el conto se alto quarantaun e sette
vaeva ea pena, per chel per de tette.

Rit:
Macchè tettone che gaveva ea Marisa,
sbregava i bottoni dea so camisa,
do robe ve digo de far fin paura
De serto la portava ea nona misura.

Ea me porta a casa so tutto un suor
ea fa per spoiarse, so pien de ardor
ma sensa ea cotoa, che gambe peose
che muscoi, che brasi, che mani calose
ea parucca ghe casca, le tette se false
che spunta do robe in meso a e calse
mi resto perplesso so insemenio,
ma varda che fato che fato mio Dio.

Ma che cogioni che gaveva ea Marisa
Do bae da tennis, da sotto ea camisa
sta sera go altro, no ve posso dir,
ve asso a voialtri de farve capir.
Sta sera go altro no ve posso dir,
ve asso a voialtri de farve capir.

Musicóle!

Leidies an Gentalmén, bom dia, boa tarde, boa noiteeeeeee!!!

Para vosse enternetetintinimento e deleite, a vara tem o enorme prazer de trazer à vossa presença o grande, o único, o impossível, o impagável...


GRACIAAANOOOO SAAAAGAAAAAAAAAAAA!!!!!



Musicóle!



DISCLAIMER:
A manifestação cultural transmitida em anexo é da única e exclusiva responsabilidade do autor da mesma, ie, Graciano Saga. Da publicação deste post não se pode - nem deve - retirar a conclusão de que o autor do post tenha partilhado, partilhe ou possa partilhar, no passado, presente ou futuro próximo (ou longínquo), das crenças, pontos de vista, opiniões ou gostos ali veiculados.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Serafim e Branquinha



Sim, porque antes de bate-chapas, o enconado pastava um rebanho de cabras e meia dúzia de burros (cujas fotos não publico, como é lógico), ali para os lados de Alfragide, até que o Belmiro lhe acabou com a boa vida, quando lá mandou construir o Continente.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Histórias de Enconar


(cont.)
Num belo dia, em pleno Verão quente, estava Serafim, como comecei por dizer, a martelar concentradamente o pára-choques amassado de um VW carocha branco antes de o transformar para posterior venda, quando ouviu, como dizia o fadista, "por entre as tábuas toscas da barraca" que lhe fazia de oficina e de casa de morada, o som de gritos ao longe. Calculou que viessem, mais coisa menos coisa, de perto da barraca da Suzete cerzideira. À cautela, desobstruiu o ouvido esquerdo com a unhaca do mindinho da mão esquerda (e guardou a pasta de cerúmen dentro de uma lata de salsichas Izidoro para depois usar na cabeça das velas como agente vedante de humidades) e riu-se despreocupadamente. "Lá estão outra vez os maganos dos putos a brincar aos pides a torturar comunistas e outros agitadores menores!"

Acabou de martelar o pára-choques e meteu-se debaixo do carocha. Preparava-se para raspar do cárter o que parecia ser um tufo de cabelos com um bocado de carne e osso agarrados quando lhe chegou ao nariz um perfume intenso. "Olá! temos cona?", perguntou-se, e fez deslizar o carrinho de rolamentos, até que, por entre as suas pernas, lhe surgiu no campo de visão um par de pernas seguido de um cúmulo de curvas que o deixou à beira da hiperventilação. "Afinal... o Zé era capaz de ter razão e aquilo nos calendários da Pirelli são mesmo gajas a sério!", lembra-se de pensar para consigo.
"Ooolhe, o senhor desculpe, vinha ali do Largo de Carnide em direcção ao Lumiar e resolvi atalhar caminho, e o meu carro parou ali na Azinhaga do Serrado, sem dizer nem água vai nem água vem. Fartei-me de andar a pé, nem um táxe nem nada, dei cabo das capas todas, e ao fim de um bom bocado lá dei com um senhor que estava ao pé de uma horta a espremer um bocadinho de limão para dentro de uma colher que me disse que aqui talvez houvesse alguém que me pudesse auxiliar, e recomendou-me que dissesse que vinha da parte do Sr. Lelo dos rádios... Pode dar-me, ahhh...., uma mãozinha?"

Serafim, que só estava habituado a tratar com os habituais toxicodependentes ladrões de automóveis e que até da companhia das suas cabrinhas estava privado há largos meses, grisou-se todo, e se pudesse tinha saído a da oficina a gritar "Ó Tio! Ó Tio!", mas controlou o seu stress pós traumático, aproveitou uns bons decilitros de espuma que tinha na boca para mandar um serenal que tinha encontrado no chão de um Fiat 600 pela goela abaixo, enquanto discretamente apertava a falanginha e a falangeta do dedo mindinho da mão esquerda com a chave inglesa que trazia consigo só para ter a certeza de que não estava outra vez a tripar com os vapores dos escapes.

Serafim (S): 'mnina, venha aqui para a sombra que senão fica como a merda ao sol: seca."
GAJA BOA (GB): Ahhh... obrigada.
S (a rolar um palito de um lado para o outro da boca e a observar GB dos pés à cabeça com olhos de carneiro mal-morto): Deixe-me só apanhar a ferramenta e já vamos ver se tratamos do seu motor.
GB: Ahhh... obrigada.
Uma vez chegados ao local da avaria:
S: Abra o seu cápô, 'mnina, se fizer favor
GB: Ahhh... já está.
S (inclinado sobre o motor e a rolar o palito na boca): ora, 'xa cá ver... ahhhh, ahhhh, (inclina-se e escorrega num bocado de óleo)...ahhhhhn! (aterra cpom os queixos em cima dos platinados) Ora, cá está!
S: 'mnina, o seu mal é que tem um fusível solto, ligando-o, o metor d'arranque deve funcionar, ora gire lá a chavinha se quer ver...
GB: Ahhh... ai sim, fantástico, que maravilha, funciona, funciona! (Bate palmas) Como é que resolveu isto tão depressa, Sr. Serafiiiim???
S: Ora, 'mnina, a minha postura, na mecânica, tal como dantes, nas quelónias, quando ia atrás dos pretos para o mato, é só uma: ou mato ou morro! Se o inimigo vem do mato, morro, se o inimigo vem do morro, mato. Sabe como é: são muitos anos a encav... a virar cabras, 'mnina.
GB: Desculpe, o senhor deve querer dizer virar frangos, não?
S: Hã?
GB: Frangos, o que se costuma virar são frangos, e não cabras.
S: Ah, pois, se calhar era isso, era. A 'mnina desculpe, mas eu, sabe, estou aqui fechado há muitos anos - saio pouco! - e estava mais habituado a distrair-me com as cabras, e as cabras, coitadinhas, até se terem ido embora, estavam habituadas a distrair-se comigo... [suspira]. Além disso, não acha as cloacas dos frangos assim um tanto ou quanto acatitadas? E depois nem sequer são mamíferos! eu não sei, eu cá falo por mim, hã, outros terão outra openião. Já se sabe, são como tantas outras coisas nesta vida: há muitas e de todos os tamanhos e feitios!
GB: Ahhh... como???? Ai, credo, Sr. Serafim, não poooossooooo, que coisaaa! Parece que não estamos bem a falar do mesmooooo! (ih, ih, ih, ih!) O Sr. sabe que vai ter de voltar a conviver com os da sua espécie, não sabe? (Como se fosse a primewira vez que realmente olhava para S., faz um ar de gula, e olha-o de cima dos óculos de aros redondos enquanto brinca a enrolar nos dedos uma das tranças loiras) E eu, enfim, o Sr., em querendo, eu tinha muito gosto em dar-lhe boleia para a oficina e, prontos, se quisesse antes disso oferecia-lhe uma Laranjina C ou uma Cergal fresquinha. Ou então podíamos conviver um bocadinho, ali debaixo da sombra daquela oliveira, assim como assim isto é um deserto, não há ninguém à vista e eu gosto do toque áspero da casca das árvores contra a minha pele desnuda...
S: Pois 'mnina, eu oiço o que a 'mnina diz, e eu até acho que a 'mnina tem razão, mas eu estou aqui a olhar para aí, para a 'mnina e prontos, eu não sei, sabe? estou a achar que isso pode ser um tanto ou quanto complicado, sabe? É que eu estava habituado a tratar as cabras assim um bocado à minha maneira, quer dizer, à bruta e à canz... e petrás, e eu não lhe quero fazer mal, já fiz mal que chegue na Guiné, tenho ali uma mala cheia de orelhas de cafres e até de alguns bijagós dos dias em que eu trabalhava para o mal: abro-a todos os domingos antes de ir à missa do Pastor Dirceu, para não me esquecer da maldade que há no mundo, 'mnina...
GB (já a perder a compostura e o sentido das convenções sociais): Ai, Sr. Serafim, o Sr. está a despertar em mim instintos primitivos, só me apetece dizer-lhe que lhe faço tudo o que o Sr. Quiser!!!
S: A sério, 'mnina? Tudo, tudo?
GB: SIIIIIM, Sr. Serafim!
S: É muito boazinha, 'mnina....então, nesse caso, a menina leva-me à Feira da Malveira?

FIM

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

FÉRIAS NA PRAIA



Emídio Bezelga pousou a mala sobre a cama do bungallow, ‘Aahhh…férias, Foda-se lá o patrão mais a puta da mulher e os filhos paneleiros, Isto é que é vida …fééérias!...’, O filho mais novo já mascava uma rã morta que encontrara meio embrulhada em cotão e cabelos no canto da cabana enquanto fazia desenhos na parede com um pau de gelado e um cagalhão ainda mole deixado num canto quarto pelo locatário anterior, A mulher foi mudar o Modess Aderente para a pia dos despejos e lavar-se no polliban rapar-se e espremer os pelos encravados esguichando pus para a cortina de plástico ‘Bonita’ que representava uma cena de asa-delta ao pôr-do-sol, Não havia luz e Emídio aborreceu-se pois tinha de se ir queixar á recepção do parque que já encerrara entretanto, O ralo do poliban gorgolejava porcaria cá para fora e ficou um enorme fedor a canos, Os mais velhinhos tinham ido comprar crepes de morango e vinho com coca-cola, A namorada grávida do mais velho estava com enjoos e vomitou no ‘hall’ de entrada mesmo por cima do divã de Beta, a mulher de Emídio, Beta não se atrapalhou e pôs um alguidar de plástico cá fora, foi ao chafariz com uma bilha de plástico, ficou na fila, voltou e pôs-se a lavar a forra do divã. Entretanto Emídio estava a manipular-se a ver o Batatoon e disse- ‘vou á missa das sete, mas é’. Lá, o padre estava agarrado aos testículos arrepelando o escrôto com vinha-de-alhos e super pop limão, Os únicos fieis sentados num canto eram os seus filhos mais velhos que se estavam a injectar e a cabecear. –‘Pai, tomei uma decisão’ – disse, semi-revirando os olhos – ‘vou-me casar com a Guida’ – O pai anuiu e acrescentou que achava honrado para depois reparar que não sabia quem era a Guida, A namorada de Túlio, o seu filho chamava-se Tina, - ‘Quem é a Guida, pá?’ – ‘Então, a Guida…é uma garina que eu conheci ontem quando fui cagar á mata. Estava lá a largar lastro também, Foi bué fixe. Eu nem deixei que o cagalhôto dela saísse completamente e empurrei-lho para trás logo ali, outra vez’. –‘É o chamado clister de açorda’ – disse o pai rindo-se e exibindo o seu único dente que estava podre. –‘Sim, pus-lhe o almoço a andar de marcha atrás, Ela até se urinou toda, paizinho!’. –‘Toma lá quinhentos paus então para beberes umas cervejas’ – disse o pai. – ‘ Um dia destes temos é de ir os dois ás putas…’, A isto o mais novo retorquiu –‘ eu gosto mais de gajos pai’ – O pai arregalou os olhos e disse – ‘Bom, desde que sejas tu a enfiar no cu do outro não há problema, Só quem leva é que é’- ‘Sim papá’- anuiu o filho, manso como um cordeirinho, No bungallow Beta já tinha preparado o jantar que era esparguete com ‘picha de vaca’, que era o que jocsamente a família chamava ás salsichas Izidoro. O pai babava-se enquanto comia e o filho imitava um porco e se masturbava debaixo dos largos calções Bilabong, O mais novo peidava-se e todos se riam, O pior foi que Tina de tanto se rir engasgou-se e abortou á mesa. Como o prematuro era hermafrodita deram-nos a um casal de alemães que ia por ali a passar e já o filho mais velho tinha saído da mesa e estava a arrebentar a peida de Guida que andava por ali mas afinal era um gajo.

Vanessa dá à anca

Para o meu amigo chOURIÇO, porque sim, mas sobretudo porque sei que ele não pode ver o video até chegar a casa.
Senhoras e senhores: uma gaja boa.


finalmente!


É uma imagem fodida, não é?

Death Proof. Um péqueno excerto

quinta-feira, 5 de agosto de 2010


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Histórias de Enconar




Serafim Baptista martelava concentrado o pára-choques amassado de um VW carocha branco. Exercia a profissão de bate chapas numa garagem obscura entre Carnide e o Bairro da Horta Nova.

Regressado da Guiné nos idos de '70 onde tinha lutado com honra e distinção na campanha de 1970-1973 na Companhia de Caçadores nº 969, e incapacitado de se reinserir na sociedade por mor do stress pós-traumático que, sempre que se encontrava na companhia de outras pessoas, lhe provocava uns espasmos incontroláveis e abundante produção de espuma na boca, tal qual como se padecesse de hidrofobia viral crónica terminal, Serafim foi para ali a convite do seu antigo furriel, Zé Antunes, homem de poucas falas, a quem Serafim tinha salvo a vida no mato.

O Zé, sempre conhecido entre os amigos e companheiros das 3 campanhas na Guiné, como 'Zé Bode', por jurar a pés juntos que as cabras eram muito mais quentinhas e dóceis que muitas gajas que para aí andam (cabritas inclusive), era proprietário por via sucessória de um curral de cabras e precisava de ajuda para o pastoreio porque era ardina na Rotunda do Relógio onde vendia o Diário de Lisboa e A Capital, e não podia estar em dois sítios ao mesmo tempo e as cabras, já se sabe: não esperam por ninguém.

E assim, todas as manhãs Serafim acordava, tomava o seu pequeno-almoço (almece de leite de cabra acabadinho de mungir com açúcar e canela) e levava as cabras a pastar a um descampado que ficava logo ali, onde hoje se ergue, imponente e majestoso, o Feira Nova de Telheiras.

Os ventos da liberdade trouxeram um crescimento desenfreado e caótico à cidade, que atraiu hordas de emigrantes que demandavam a capital em busca de uma vida mais desafogada, e de repente o leite, a carne, os tapetes de pele de cabra e até mesmo os prazeres proibidos que as cabras proporcionavam a alguns poucos aficionados, que os pagavam em bom dinheiro a Zé Bode, deixaram de ter viabilidade económica. Até o simples acto de pastar cabras se tornou uma gesta heróica, pois onde antes medrava a erva tenra, impunham-se agora vias rápidas de asfalto e betão, e era cada vez mais complicado manter o rebanho em condições. Já pra não falar nas sessões de gincana para levar o rebanho a pastar, que quase iam transformando Serafim y sus muchachas num misto de cascadeurs e atracção turística suburbana.

Os posteriores problemas de solvabilidade e liquidez dos empregadores de Zé Bode, e de onde este tirava, aliás, o seu principal, ainda que magro, sustento precipitaram as coisas: deixou de poder exercer como ardina e, com o coração partido, meteu-se com as cabras na carreira da Mafrense e rumou à Malveira, dita dos bois, onde vendeu a suas estimadas cabras na feira de gado por 100 contos, o que na altura até nem foi mau negócio, a uns freaks alemães que por ali andavam a perguntar a quem passava se sabiam onde ficava a Serra de Mú porque, segundo constava, tinham um encontro com Gaia.

E diga-se em abono da verdade que, no que tange a transacções comerciais de gado, a Malveira só não é a localidade mais significativa do país porque os campinos têm uma antipatia ancestral para com os saloios, preferindo de longe, vá-se lá saber porquê, deslocar-se a Beja e à Golegã.

Mas adiante, que isso são outros quejandos: com o pecúlio assim acumulado, e depois de ter pago 3 anos de quotas em atraso n'Os Belenenses, e de deixar uma pequena contribuição para a renovação da sala de espectáculos do "Vendeores de Jornais Futebol Clube", de uma pançada de Cozido à Portuguesa bem regado com águas do Cartaxo no "Oh, Lacerda!" e uma visitinha à Parreca de Monsanto, que fazia tudo por uma quinhentola e que era a coisa mais parecida com uma cabra que ele conhecia, Zé Bode reinvestiu tudo o que tinha e reconverteu o estábulo numa modesta, mas bem equipada oficina automóvel especializada em bate chapas, electricista e reconversão estética de viaturas de 2 e 4 rodas, que é uma forma idiomática e simpática de dizer que Zé Bode se passou a dedicar de alma e coração à receptação, transformação e posterior venda a terceiros, de boa ou de má-fé, de veículos furtados.

A alma do negócio era, também aqui, Serafim Baptista: tanto por força da sua infância, onde tinha sido ajudante numa bomba de gasolina ali para as bandas de Alpiarça e onde de quando em vez desenrascava um ou outro cliente mais atrapalhado e disposto a remunerar os seus serviços com alguma espórtula simpática, em géneros ou em espécie, como por força da sua actividade na Guiné.

Na Guiné, Serafim era o gajo que safava o batalhão no meio do mato, ora quando o radiador dava o berro enchendo-o com urina da Companhia, ora reparando a correia do distribuidor com as meias de seda que o Cabo Artur Ribeiro sempre trazia vestidas para não se esquecer que noutra vida, longe do Ultramar era uma dançarina de cabaret no Ritz Club que responda pelo nome de Scarlet O'Tara onde fazia playbacks da Simone e da Madalena Iglésias. Mas Serafim também era o batedor com maior sucesso do batalhão: era invariavelmente ele o soldado encarregue de sabotar os meios ao dispor do inimigo.

Foi desta guisa que Serafim se tornou um exímio retalhador de pescoços de sentinelas Turras (foi ali, aliás, que começou a acumular os seu largo espólio de orelhas que ostentava com orgulho num fio de pesca pendurado ao pescoço que ainda hoje guarda consigo) e um sabotador de motores inimigos como o Ultramar não voltou a ver.

(cont.)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010