quinta-feira, 7 de outubro de 2010

entrar de manhã no local trabalho e ler em voz muito alta

Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Com certeza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!

Joaquim Pessoa

34 comentários:

efpm disse...

Primeiro, claro!

Ana disse...

Pessoa, esse ganda maluco!


Primeiras!

Assento da Sanita disse...

Anarco-sindicalista. Lê mas é a última encíclica Urbi et Orbi, pá.

efpm disse...

Isso, mas nada de punhetas.

efpm disse...

Lê, interioriza e espalha a palavra. Depois arrumas, claro...

Assento da Sanita disse...

Interiorizar não quer dizer introduzir no interior do recto muito enroladinho, vê lá.

efpm disse...

Claro. E espalhar a palvara não será pintar à pistola, obviamente.

fininhO disse...

anarca pode ser... sindicalista masé na conta da tua mãe... Urbi et Orbi, lê tu ó paneleiro católico... fecha-te na latrina e lê essa merda bem alto... talvez te venhas a sentir melhor durante um dia ou dOIS...

Ó CARALHO! Ó CARALHO!
Ó CARALHO!

fininhO disse...

PARA A LATRINA EU VOU! PARA A LATRINA EU VOU! PARA A LATRINA EU VOU...































CAGAR! CAGAR! CAGAR!

efpm disse...

Foda-se, que malcriado do caralho...

Assento da Sanita disse...

Podes crer. A chamar 'católico' a um gajo.

efpm disse...

Também lhe chamaste sindicalista, olha lá...

Assento da Sanita disse...

O gajo é, mas é, paneleiro se calhar!

Assento da Sanita disse...

PANELEIRO!

Assento da Sanita disse...

Realizou-se um campeonato de paneleiros, para ver quem tinha o cú mais sensível.
Veio o primeiro e enfiaram-lhe uma caneta bic. Com uma voz fina, o tipo disse: "Ai, deixa eu ver... Caneta bic ponta fina".
Porra, até na ponta acertou!
Veio o segundo e enfiaram-lhe uma lapiseira. Com vos finíssima o tipo disse: "Ai, deixa eu ver.. Lapiseira 0.7" UAAAAU! gritou a assistência.
Até na espessura acertou!
Veio então o terceiro, e um dos jurados que ia a passar entornou o café em cima do cú do tipo. E o tipo, com voz super fina:
"Aaaaaaaiiiiiiiiiii...... Está sem açúcar".

fininhO disse...

"José Sócrates inaugurou igreja a bem da laicidade"

"No dia em que o país celebrou, também, a separação entre Estado e Igreja Católica, José Sócrates foi a Alfragide (Amadora) inaugurar... um templo católico."

fininhO disse...

abichanado, toma lá esta...

"Socrates afirma que essa presença significa que “o Estado não é anti-religioso” e sai da cerimónia com “alegria e luz no coração”.

fininhO disse...

Na cama fazemos netos

Ó caralho! Ó caralho!

efpm disse...

ahahah, Adas.

O gajo saiu de lá com luz no coração? Mineiro paneleiro!

Zeca Galhão disse...

Saiu de lá mas foi com loção no cu, o palhaço!

Zeca Galhão disse...

Ou com o cu em sangue.
Não o sangue do JC, mas do pároco, dos sacristãos e até dos acólitos.

g2 disse...

Que post mais malcriado...

efpm disse...

Foda-se lá, Zeca, já tás cuma ganza do caralho...

fininhO disse...

Polvo à Capitalista


Ingredientes:

1,200 kg de polvo... do mais caro
3 colheres de sopa de azeite... do mais caro
4 colheres de sopa de aguardente... do mais cara
1 colher de sopa de farinha... do mais caro
2 cebolas... das mais caras
6 colheres de sopa de polpa de tomate... do mais caro
2 dentes de alho... dos mais caros
3 dl de vinho branco... do mais caro
sal... do mais caro
pimenta e pimenta-de-caiena... da mais cara
3 colheres de sopa de natas... das mais caras

Confecção:

Prepare o polvo e coza-o.
Escorra o polvo e corte-o em bocados.
Aloure os bocados de polvo numa colher de sopa de azeite bem quente.
Escorra o líquido que o polvo largou e regue-o com a aguardente.
Puxe fogo e agite a frigideira para deixar a aguardente arder.
Polvilhe com farinha e envolva bem.
À parte pique as cebolas e aloure-as numa caçarola com o restante azeite.
Adicione o líquido que o polvo largou, a polpa de tomate, os dentes de alho picados e o vinho branco.
Tempere com sal, pimenta e pimenta-de-caiena.
Introduza o polvo na caçarola e deixe cozer no molho sobre lume brando, durante cerca de 1 hora e meia.
Rectifique os temperos e adicione por fim as natas.
Sirva o polvo num prato fundo, polvilhado com salsa picada.
Acompanhe com arroz à crioula.

Anónimo disse...

Ó caralho!

Sei lá o que é que a Ferreira Alves anda a dizer. Até acho que vi o «pugrama» em questão, mas não me lembro de nada do que ela disse. Aliás, acho que foi um daqueles «pugramas» de ruído, em que toda agente falava e ninguém se entendia.

Olá, Pepina Maria. Tanto regozijo, miúda. Não sou merecedor de tanta exultação.

Bons dias.

Ideapanharoprimeirocomumcruxifixonamão.

Já repararam que o berloque do abichanado-mor deixou de falar em política?

Ah, pois é!...

chOURIÇO

Anónimo disse...

*crucifixo, porra.

Que raio, pás.

chOURIÇO

fininhO disse...

o abichanado paneleiro não publica os meus comentos...

Bock disse...

Eu reparo em muita coisa, por exemplo, reparei que andavas meio desaparecido.
Mas nisso do berloque do abichanado não tinha reparado.

Parece que o magano está a começar a ganhar juízo.
Agora só lhe falta deixar de fazer de não ter Deus, outro Deus para começar a ser um gajo ao pé de quem se pode estar mais de 5 minutos.
ABICHANADO DO CARALHO!
OH CARALHO, OH CARALHO!

Não tos publica, fininh0?

Isso é grave, pá. Andarás a escrever autênticas barbaridades? Isso nem parece dele. É abichanado como tu e tudo!

efpm disse...

Publiquem-mos.

Bock disse...

É uma afronta, pá!

efpm disse...

Alerta, alerta!

booberella disse...

Bom dia, babes.

Bom, chOURAS, se não sabes o que a Ferreira disse, resumo-te: ela, acérrima defensora do Sócras, reconheceu que, nos últimos tempos, ele vai mal.

Pronto. Já podes abrir a garrafa de champagne. :)

Deixei de ligar ao blog do abichanado a partir do momento em que ele começou a fazer censura aos meus comentos, leia-se, editá-los.

Até logo, que ando cheia de bules.

efpm disse...

O abichanado, desde que casou com as duas fufas, nunca mais foi o mesmo.

g2 disse...

F cinq...